16 abril 2012

Explicação

Casmurro andou sumido, afastado desta rede mundial de computadores que interliga tantas pessoas à toa, com tempo para ver bobagens como este blog. É claro que 99,99999999999999999999% da população mundial não deu a mínima, e os outros 0,0000000000000000001% acharam é muito bom que esta porcaria estivesse parada. Entretanto, devo uma explicação àquela meia dúzia de dois ou três masoquitas que usa este espaço para sabe-se lá o quê.
Casmurro teve uma chance e aproveitou. Não o culpem - a todo homem deve ser dada ao menos uma oportunidade na vida. Eu tive a minha. Por meio de influências nem tanto lícitas junto ao governo dos Urais fiquei sabendo de uma ótima vaga na estatal que cuida das estradas - bom salário, viagens, ar livre, belas paisagens e vodka. Vodka. Vodka.
Usei meus contatos e fui à luta.  Embora exigissem Pós-Graduação, aceitaram meu secundário incompleto. Embora pedissem experiência prévia, contentaram-se com minha falta de.  Embora solicitassem boa aparência, bem, deixa prá lá.
Resumo da ópera: consegui o emprego. E nele fingi trabalhar por todo este tempo. Não me lembro bem de quanto tempo foi porque em grande parte dele estive em um estado engraçado em que as nuvens conversavam comigo, vacas voavam e árvores sorriam. Tudo ia bem até a semana passada, quando recebi o comunicado solicitando um trabalho urgente e importantíssimo, a ser realizado no trajeto de uma imponente parada militar. Li e reli estupefato o pedaço de papel, horrorizado por alguém me achar capaz de fazer algo decente. Finalmente me acalmei após secar três garrafas e fui à luta. Na minha modesta opinião, concebi uma das obras primas da humanidade:


Infelizmente, meu chefe no SPDEADM (Setor de Pintura Divisória de Estradas Asfálticas de Duas Mãos) não gostou muito e arbitrariamente me demitiu.
Então, enquanto busco subsídios jurídicos para processar meu chefe, o SPDEADM (não vou ficar repetindo o que esta porcaria significa), o governo dos Urais e o Rafinha Bastos (já que todo mundo processa, por que não eu?), vou ficando por aqui. Sinto-me um gênio incompreendido, e só não corto a orelha porque não gosto de imitar os outros.
Por fim, prezado leitor, prezada leitora destas mal traçadas, só me resta a pergunta: por acaso você pinta como eu pinto?