E você aí reclamando da CPTM...
27 maio 2012
21 maio 2012
A infância de Casmurro
Vamos lá, rumo a mais um capítulo da infausta saga a
respeito deste pulha, Casmurro Sobrinho, o verme, o facínora, o crápula, o
cãozinho dos teclados (não, eis que nos confundimos, o cãozinho dos teclados é
este aqui, não devemos perder o foco sob pena de nos atrapalharmos mais
do que o necessário. Voltemos então à nossa programação normal). Vocês já estão
avisados sobre a falta de congruência, nexo causal, sentido cronológico,
alfabético, histórico ou geográfico, bem como em relação ao mau gosto geral e
irrestrito. Desse modo, não aceitamos devoluções e não realizamos trocas aos
sábados. Estejam, pois, cientes do fato.
Aos domingos eles iam à igreja e não me batiam – nessas datas felizes, eu apanhava apenas dos vizinhos. Vê-se então que minha vida era uma felicidade só. Sem perspectivas, sem amigos, sem mulheres, sem bebidas, eu só não me matava para não dar esse gosto para aquela canalha.
Os Urais são
um lugar esquisito para se crescer. Muita neve, muita vodka, pouco para se
fazer – dá para juntar uma coisa à outra, não é mesmo? O fato é que, depois de
meu pai nos abandonar covardemente após o episódio do registro de meu nome,
minha mãe assumiu a gerência executiva da residência e tudo mudou. Para pior –
muito pior. Mamãe era uma cruza de bruxa de Blair com Hebe Camargo, a loura
mais burra e malvada dos Urais. E me culpava descaradamente pelo sumiço do meu
pai. Para me castigar, inventava torturas inimagináveis: queimaduras com
cigarro, beliscões na bunda, cascudos na cabeça, tang sabor maçã verde.
Mamãe usava a vassoura para voar, não para varrer.
Aliás,
não só minha mãe, mas também meus seis irmãos me culpavam pela partida do meu
genitor, e me batiam – tudo era feito de forma muito organizada, seguindo uma
agenda previamente definida:
às segundas, Svetlana me sentava a borracha do
esguicho do quintal;
às terças, Dimitri me brindava com cascudos no cocuruto;
às quartas, o adorável Oleg carcava a cinta no meu lombo;
às quintas, Ludmila,
a besta-fera (apelido carinhoso que lhe dei) me queimava com bitucas (afinal,
tinha quatro anos, idade em que uma criança já pode fumar nos Urais);
às sextas,
Ivan (se ele era terrível? Nem te conto...) me amarrava ao triciclo e arrastava
meu corpo por todo o quintal;
e, finalmente, aos sábados, a piedosa Natasha me
erguia do chão pelas orelhas de hora em hora.
Aos domingos eles iam à igreja e não me batiam – nessas datas felizes, eu apanhava apenas dos vizinhos. Vê-se então que minha vida era uma felicidade só. Sem perspectivas, sem amigos, sem mulheres, sem bebidas, eu só não me matava para não dar esse gosto para aquela canalha.
Enquanto
isso, tal qual Robert de Niro em Cabo do Medo, gestava minha vingança em
silêncio.
Assim foi
até os meus três anos, quando, em um dos domingos em que ficava sozinho, de
repente achei no porão uma guitarra e um amplificador valvulado.
Como haviam parado ali é apenas mais um dos mistérios da humanidade, como
Machu Pichu e as Pirâmides. O fato é que passei a treinar em segredo, todas as
semanas, o som mais horrível que alguém já tinha ouvido. Aperfeiçoei aos
poucos, criei gritos de guerra, refrãos idiotas, e ao cabo de alguns meses tudo
estava pronto. Misturei calmante ao suco de blackberry que era servido aos
sábados à noite, e na manhã seguinte todos acordaram na sala, devidamente
amarrados e amordaçados.
À frente deles, bandana na cabeça, guitarra no
pescoço, o Peavey no volume máximo, este que vos fala.
Não tive
piedade. Dedilhei todos os acordes malignos que havia inventado. As lágrimas
escorriam dos seus olhos. Em dado momento, me perguntei se não estava sendo
cruel demais, mas subitamente lembrei-me do que me faziam, e continuei, por
horas e horas. Quando terminei, Dimitri babava, Svetlana chorava
descontroladamente, Oleg balbuciava sons incompreensíveis, Ivan estava alheio,
Natasha batia a cabeça na parede e Ludmila desmaiara. Minha mãe tinha o medo no
olhar, e a partir daí ninguém mais ousou me importunar.
Até aí tudo
bem, mas eu não contava com um triste evento fortuito. A vizinhança toda tinha
fugido em pânico, aterrorizada com tamanha atrocidade. Bem, toda não: o imbecil
da Vila, Stupidoff, maravilhara-se com aquela barulheira, pegara seu gravador de
rolo e registrara tudo. Tudo! Aquele conteúdo era mais que perigoso – era potencialmente
mortal, arma de destruição em massa. Nas mãos erradas, levaria ao caos, ao pânico,
quem sabe à exterminação da espécie.
Mas
Stupidoff era estúpido, e não estava nem aí. Adorou tudo aquilo e quis
compartilhar com seu primo, que morava na Bahia, o qual era ainda mais idiota,
e acrescentou uns tambores naquela monstruosidade. O que deveria ser arma de
guerra, instrumento de tortura psicológica da KGB, de repente ganhava as ruas –
ninguém mais estaria a salvo.
Até
hoje minha culpa é imensa – sim, eu havia inventado a Axé Music. Deus é sábio e
grande em sua misericórdia, mas eu tenho dúvidas se poderá me perdoar.
Aê, aê, aê, ô, ô, ô, eoeoeoeoeeeeeeeeeee
13 maio 2012
06 maio 2012
03 maio 2012
Hoje é o Dia Internacional do Sol
E, pelo jeito, amanhã é o dia universal do Caladril, da vaselina líquida e da compressa de chá de camomila gelado.
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